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A Dieta Ocidental e as Doenças da Civilização

A globalização nos permitiu partilharmos e nos conectarmos à nível mundial com as mais variadas culturas e povos, aprimorando e aumentando o conhecimento humano de maneira exponencial, facilitando nossas vidas e melhorando nossa comunicação interpessoal. Isso tudo seria considerado fantástico e inimaginável para algumas gerações atrás. Porém, a disseminação e mistura cultural também caminha para uma padronização dos nossos hábitos de vida (ocidentalização), com consequências em escala mundial quando esse hábito é prejudicial à nossa espécie.

Com a dieta humana não tem sido diferente. O processo de ocidentalização levou os produtos refinados e industrializados típicos da dieta ocidental aos mais variados países, com consequente piora da saúde, relatada por vários estudos populacionais. A saúde da população de maneira global está pior. Nunca estivemos tão obesos, nunca tivemos número maior de hipertensos e diabéticos, e as doenças metabólicas hoje acometem inclusive as crianças (epidemia de obesidade em crianças de 6 meses nos Estados Unidos). Quanto mais ocidentalizada a dieta da população, pior seus índices de doenças metabólicas e cardiovasculares.

Nos Estados Unidos as doenças crônicas e problemas de saúde atribuídos à dieta representam de longe a maior ameaça à saúde pública. 65% dos adultos com mais de 20 anos possuem sobrepeso ou obesidade.  Mais de 64 milhões de americanos (20% da população) tem um ou mais tipos de doença cardiovascular, a qual é a principal causa de mortalidade (38,5% de todas as mortes nos EUA). Cinquenta milhões são hipertensos (16%), 11 milhões tem diabetes tipo 2 (3,5%) e 37 milhões (11,8%) tem alto risco por colesterol total maior que 240 mg/dL.

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Em contrapartida, num estudo realizado pelo Dr. Staffan Lindeberg em uma tribo chamada Kitava, na Papua Nova Guiné, cuja dieta é baseada na caça e colheita (ausência de agricultura e criação de animais), registrou praticamente a inexistência das chamadas doenças da civilização moderna, as quais incluem hipertensão arterial, doenças cardio-vasculares, dislipidemias, osteoporose e doenças metabólicas. Virtualmente 0% da população apresentava quaisquer dessas comorbidades. Outros estudos em tribos semelhantes em outros países mostraram resultados semelhantes (Aborigenes, Ache, Anbarras, Eskimos, Nukak, Kung, etc).

Mas afinal de contas, o que é a dieta

ocidental? Como ela evoluiu até aqui?

Antes da agricultura e criação de animais a dieta humana era limitada a alimentos de origem animal e vegetal minimamente processados. Com o advento das plantações e criações as características nutricionais dessa dieta selvagem mudou, levemente no começo, e mais substancialmente após o incremento tecnológico na Revolução Industrial. Novos tipos de alimento foram introduzidos, para quais o genoma humano tinha pouca ou nenhuma experiência evolutiva, e mais importante, o desenvolvimento do processamento dos alimentos permitiu, tanto quantitativamente quanto qualitativamente, a exposição humana à combinações de nutrientes dantes nunca vivenciadas por toda nossa história evolutiva.

Quando comparamos as dietas pré e pós-agricultura, temos que se ater não somente à qualidade e quantidade dos alimentos consumidos, mas também devemos considerar os alimentos que não poderiam ter sido consumidos antes da agricultura, revolução industrial e revolução tecnológica; alimentos não disponíveis aos homens do paleolítico. Segue uma tabela com os alimentos da dieta ocidental que não estariam disponíveis no período pré-agricultura e a porcentagem energética relativa de uma dieta padrão atual (dados dos EUA). Apesar de produtos derivados do leite, grãos e cereais, açucares refinados, óleos vegetais e álcool constituírem 72,1% de toda a energia consumida pela média da população americana, no período pré-agricultura esses alimentos representariam muito pouco, ou nada, do total energético consumido pelos humanos. A mistura dos ingredientes expostos na tabela a seguir (coxinhas, rosquinhas, pães, salgadinhos, bolos ,bolachas, condimentos, pizzas, massas, sorvetes, doces, soft drinks, cereais matinais) constituem a base da dieta ocidental. Ou seja, 72,1% de tudo que comemos não fazia parte da nossa dieta original (evolutivamente falando), pelo simples fato de que esses alimentos não existiam quando evoluímos.

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Em resumo, nos países ocidentalizados as doenças crônicas relacionadas à dieta representam a causa número um de morbimortalidade. As chamadas doenças da civilização afligem de 50-65% da população adulta desses países, enquanto em tribos de caçadores-coletores esses índices se aproximam de 0%.
A dieta humana perfeita é realmente difícil de ser “descoberta” e comprovada, mas os dados populacionais nos garantem uma coisa, nossa dieta atual é a pior apresentada até hoje, sem sombra de dúvidas.

Nos últimos 30 anos muitos dados vem apontando para essa questão, nos próximos posts discorremos mais a fundo os porquês da dieta ocidental ser tão maléfica ao nosso organismo.

Dr. Massao é Formado em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Atua na área de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

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